Tudo São Peças: A Teoria Informacional de Tudo (TIT)
No artigo anterior, aprendemos que a informação é distinção, que antes de qualquer coisa existir como esta coisa, tem de ser distinta de outras.
Vimos que o padrão antecede e constitui a matéria, que o livro não é o papel, que a sinfonia não é o vinil, que tu não és os teus átomos.
Ficámos, porém, a meio caminho.
Se a informação é a substância das coisas individuais, o que dizer do universo como um todo?
Será que a informação é apenas uma propriedade das partes, ou será que é a natureza de tudo?
A resposta das Teorias Informacionais é clara e sem hesitação: é a natureza de tudo.
Não de algumas coisas.
Não de coisas suficientemente complexas.
De tudo.
Desta afirmação nasce a teoria mais ambiciosa do corpus: a Teoria Informacional de Tudo, a TIT.
“A informação não é o que temos sobre a realidade. É o que a realidade é.”
Vitor Lima – Corpus Informacional
O Axioma que Muda Tudo
A TIT enuncia-se numa única frase: toda a realidade é estrutura informacional.
Em notação formal: para todo o x que pertença à Realidade, x é uma estrutura informacional.
Não existe exceção.
Não existe nível da realidade subatómico, atómico, molecular, biológico, neurológico, social, cosmológico, que escape a esta caracterização.
Antes de mais, é importante perceber o que a TIT não diz.
A TIT não diz que o universo é um computador.
Não diz que a realidade é uma simulação.
Não diz que a matéria é uma ilusão.
A TIT diz algo mais subtil e mais profundo: que a estrutura mais fundamental de qualquer entidade, o que a faz ser o que é, o que a distingue de tudo o resto, é informacional.
A matéria existe.
A energia existe.
Mas o que as organiza, o que as define, o que as torna estas coisas e não outras, é informação.
Pensa numa escultura de mármore.
O mármore é real, tem peso, textura, temperatura.
Mas o que faz aquela escultura ser o David de Michelangelo e não um bloco amorfo de pedra?
Não é o mármore, o mármore pode ser o mesmo.
É o padrão esculpido na pedra: a sequência precisa de saliências e concavidades, de proporções e curvas, que instancia aquela forma específica.
Esse padrão é informação.
E sem esse padrão, não há David, há apenas mármore.
PEÇA DE LEGO – TIT: TEORIA INFORMACIONAL DE TUDO
Para todo o x pertencente à Realidade, x é uma estrutura informacional. A TIT não é uma metáfora, é uma afirmação ontológica: a informação é o substrato de que toda a realidade é feita. A matéria e a energia são modos de instanciação de informação, não os seus fundamentos.
Wheeler, Floridi e os Precursores
A TIT não nasce do nada.
Insere-se numa tradição de pensamento que, ao longo do século XX, foi progressivamente reconhecendo que a informação não é apenas um produto da mente humana, é uma categoria fundamental da realidade.
John Archibald Wheeler foi o primeiro grande físico a formular esta ideia com rigor.
Colaborador de Einstein e tutor de Feynman, Wheeler dedicou os últimos anos da sua vida a uma questão que ele próprio reconhecia como perturbante: o que é a realidade, na sua estrutura mais funda?
A resposta a que chegou, it from bit, tudo vem do bit, foi inicialmente recebida com ceticismo pela comunidade científica.
Parecia demasiado radical.
Parecia confundir o mapa com o território.
Mas Wheeler insistia: não.
O bit não representa a realidade, a realidade é feita de bits.
Cada evento quântico é uma pergunta respondida.
Cada colapso de função de onda é uma distinção realizada.
O universo é um processo de geração de informação.
Luciano Floridi, filósofo contemporâneo que fundou a filosofia da informação como disciplina académica rigorosa, chegou a uma conclusão semelhante por uma via diferente: a análise conceptual do que significa ser uma entidade.
Para Floridi, qualquer entidade pode ser descrita pelo seu perfil informacional, o conjunto de todas as propriedades que a caracterizam.
Mas se uma entidade pode ser descrita integralmente por informação, então a entidade é, na sua estrutura mais funda, informação.
Floridi chama a isto realismo informacional: a informação não é apenas uma representação da realidade, é uma dimensão constitutiva da sua inteligibilidade e, em certos enquadramentos, da sua própria constituição.
A TIT vai um passo além de ambos.
Não se limita a afirmar que a realidade pode ser descrita em termos informacionais, afirma que a informação é o substrato ontológico primário.
É a afirmação mais forte possível.
E é também, como veremos, uma hipótese filosoficamente potente e particularmente coerente com vários domínios da ciência contemporânea, da física quântica à biologia molecular, passando pela neurociência e pela cosmologia.
O Argumento da Indistinguibilidade
O argumento mais directo a favor da TIT vem da física quântica, e chama-se argumento da indistinguibilidade.
Considera dois electrões.
Não dois eletrões quaisquer, dois eletrões com exatamente os mesmos números quânticos: mesma energia, mesmo spin, mesma posição.
O que a física quântica nos diz é que estes dois electrões são absolutamente indistinguíveis.
Não há nenhum experimento possível que permita dizer qual é qual.
Não porque os nossos instrumentos sejam insuficientes, mas porque, em princípio, não existe diferença observável entre eles.
Isto é estranho.
Se dois objectos são absolutamente idênticos, em que sentido são dois objectos e não um?
A física responde com o princípio de exclusão de Pauli: dois electrões não podem ocupar o mesmo estado quântico no mesmo sistema.
Mas este princípio não resolve a questão filosófica da identidade; apenas delimita a estrutura dos estados possíveis.
A pergunta permanece: o que significa, afinal, dizer que há dois electrões em vez de um, se não existe propriedade intrínseca que os diferencie?
A resposta informacional é elegante: o que distingue dois eletrões não é nenhuma propriedade intrínseca isolável, é o contexto relacional em que se encontram.
É a posição na rede de relações do universo.
É a história de interacções de cada um.
É o conjunto de distinções que cada um instancia no sistema em que existe.
E esse conjunto de distinções contextualizado é, precisamente, informação.
Se o que faz um eletrão ser este eletrão é o seu perfil relacional, a sua posição na rede de eventos do universo, então o eletrão é, na sua essência mais funda, um padrão informacional.
E o mesmo se aplica a qualquer partícula, a qualquer átomo, a qualquer molécula, a qualquer estrutura do universo.
“Dois eletrões sem contexto são o mesmo eletrão. O que os torna dois é a informação que os distingue no tecido do universo.”
Vitor Lima – Corpus Informacional
A Independência do Substrato, AX.04
Uma das implicações mais profundas da TIT é o que as Teorias Informacionais chamam o Axioma da Independência do Substrato: a identidade de uma entidade é o seu padrão informacional, não o substrato material que o instancia.
Este axioma resolve de forma elegante um dos puzzles mais antigos da filosofia: o problema da identidade através da mudança.
O Rio Heraclitiano, o rio em que não podes entrar duas vezes porque as águas mudam, é ainda o mesmo rio?
A resposta da TIT é sim: porque o que faz o rio ser este rio não é a água específica que o compõe em cada momento, mas o padrão de relações, o leito, a margem, a foz, o caudal, o ecossistema, que se mantém coerente através da mudança da água.
O mesmo se aplica ao teu corpo.
Os átomos que te constituem são substituídos ao longo de anos: os átomos de cálcio dos teus ossos renovam-se em cerca de dez anos, os átomos de carbono das tuas células em semanas ou meses.
Em sentido estritamente material, és uma entidade diferente da que eras há dez anos.
E no entanto, és reconhecidamente tu.
A mesma pessoa.
A mesma identidade.
O que persiste não é a matéria, é o padrão.
PEÇA DE LEGO, AX.04, INDEPENDÊNCIA DO SUBSTRATO
A identidade informacional de uma entidade é independente do substrato material que a instancia. O que faz uma coisa ser esta coisa é o padrão, não a matéria. A mesma sinfonia em instrumentos diferentes é a mesma sinfonia. O mesmo padrão em substratos diferentes é a mesma identidade. Esta independência do substrato tem implicações que vão muito além da filosofia. Na biologia: um organismo que substitui todos os seus átomos mantém a sua identidade porque o padrão genético e o padrão de organização celular persistem. Na tecnologia: um programa de computador é a mesma entidade independentemente de correr num processador Intel ou AMD, porque o padrão de instruções é o mesmo.Na cultura: um mito, uma língua, um sistema de valores são entidades informacionais que persistem através das gerações, independentemente das pessoas específicas que os carregam. E na consciência, mas isso é para um artigo futuro.
O Pixelverse, Revelar Não É Criar
Há um subconceito da TIT que ilumina de forma particularmente vívida o que significa dizer que a realidade é informacional: o Pixelverse.
Imagina todas as imagens digitais possíveis com uma resolução de 1920 por 1080 pixels, com 24 bits de cor por pixel.
O número de imagens possíveis é astronómico, maior que o número de átomos no universo observável, mas é finito.
Existe um espaço completo e enumerável de todas as imagens que alguma vez poderão existir neste formato.
A este espaço chamamos o Pixelverse.
O Pixelverse já existe.
Não num servidor, não numa memória física, existe no sentido em que o espaço de todas as possibilidades existe antes de qualquer possibilidade específica ser atualizada.
Quando um fotógrafo tira uma fotografia, não está a criar uma imagem que antes não existia, está a revelar uma imagem que já estava contida no Pixelverse.
A câmara é um instrumento de revelação, não de criação.
Isto parece contra-intuitivo.
Estamos habituados a pensar que o acto criativo origina algo novo, algo que antes não existia.
Mas o que a TIT propõe é que a criatividade não é originar, é navegar.
É percorrer o espaço de possibilidades e revelar configurações que ainda não tinham sido actualizadas.
O fotógrafo não inventa a cena, encontra-a no Pixelverse e fixa-a.
O matemático não inventa o teorema, descobre a relação que já existia no espaço das relações matemáticas possíveis.
O compositor não inventa a melodia, revela uma sequência de frequências que já estava inscrita no espaço das combinações musicais possíveis.
PEÇA DE LEGO, PIXELVERSE, REVELAR NÃO É CRIAR
O Pixelverse é o espaço finito e enumerável de todas as configurações informacionais possíveis num dado sistema. Criar é revelar, é atualizar uma possibilidade que já estava inscrita no espaço de possibilidades. O acto criativo não origina o que nunca existiu: navega o Pixelverse e fixa o que encontra. Cuidado com um mal-entendido frequente: dizer que criar é revelar não diminui o valor da criatividade. Pelo contrário, exalta-o. Navegar o Pixelverse de forma significativa, encontrar as configurações que ressoam com outros seres humanos, que comunicam algo verdadeiro sobre a condição humana, que abrem novas possibilidades de compreensão, isso é infinitamente mais difícil e mais valioso do que simplesmente originar algo aleatório. A vastidão do Pixelverse é tal que a probabilidade de encontrar algo significativo por acaso é praticamente zero. A criatividade é a capacidade de navegar esse espaço com inteligência, sensibilidade e propósito. O Pixelverse aplica-se muito além das imagens digitais. É uma metáfora geral para o espaço de todas as configurações possíveis de qualquer sistema informacional. Há um Pixelverse das sequências de ADN e a evolução biológica navega-o. Há um Pixelverse das estruturas proteicas e a bioquímica navega-o. Há um Pixelverse dos sistemas sociais e a história humana navega-o. Em todos os casos, o que chamamos novidade é a revelação de uma possibilidade que já estava latente no espaço de configurações.
A TIT e a Física Quântica, Uma Aliança Natural
A física quântica é, de todas as ciências, a que mais diretamente suporta a TIT.
Não porque os físicos quânticos sejam, na sua maioria, defensores da primazia da informação, muitos são céticos ou agnósticos sobre interpretações filosóficas.
Mas porque os resultados experimentais da física quântica são frequentemente mais facilmente interpretados num quadro informacional do que num quadro puramente materialista.
O exemplo mais dramático é o entrelaçamento quântico.
Quando dois eletrões interagem de forma a ficarem entrelaçados, passam a partilhar um estado quântico que não pode ser descrito como a soma dos estados individuais.
Se medes o spin de um dos electrões e obténs spin-up, sabes instantaneamente que o outro tem spin-down, independentemente da distância que os separa.
Isto acontece de um modo que, à primeira vista, parece ultrapassar aquilo que uma transmissão causal local poderia explicar.
Einstein chamou a isto ação fantasmagórica à distância e recusou aceitar que fosse uma descrição satisfatória da realidade, pensava que tinha de haver variáveis ocultas que explicassem a correlação sem violar a relatividade.
Mas as experiências de Bell e depois as de Aspect e muitos outros, demonstraram que Einstein estava errado: o entrelaçamento é real, não há variáveis ocultas locais, e as correlações observadas não se acomodam facilmente a uma explicação clássica baseada em separação ontológica simples.
A interpretação informacional é uma das leituras filosoficamente mais parcimoniosas destes dados: dois eletrões entrelaçados partilham um estado informacional, um padrão de distinções que é uno, não redutível a duas descrições independentes.
Não são necessariamente “dois sistemas separados com propriedades correlacionadas” no sentido clássico; são antes uma estrutura relacional cuja unidade antecede a separação descritiva.
A medição num local não precisa de ser entendida como transmissão mecânica de informação ao outro local; pode ser compreendida como actualização contextual de um sistema que já era, em certo sentido, estruturalmente uno.
Esta leitura não elimina o mistério da ação à distância por decreto, clarifica-o por via conceptual.
O ponto central é este: no quadro informacional, a unidade relevante não reside nas propriedades localmente separadas, mas na estrutura relacional do sistema como um todo.
Objeções e Respostas
A TIT é uma afirmação radical, e é natural que suscite objeções.
Vejamos as mais comuns.
Objeção 1: “Se tudo é informação, então a informação não explica nada, é apenas uma palavra vazia que se aplica a tudo.”
Esta objeção confunde extensão com vacuidade.
O facto de um conceito se aplicar a tudo não o torna vazio, pode torná-lo mais fundamental.
A matéria e a energia aplicam-se a tudo o que existe no universo físico, e ninguém argumenta que são conceitos vazios.
O que a TIT propõe é que a informação é mais fundamental do que a matéria e a energia, que é a categoria da qual a matéria e a energia são instâncias específicas.
Esta é uma afirmação substancial, não uma tautologia.
Objeção 2: “A informação precisa de um substrato físico para existir. Não pode ser mais fundamental do que a matéria se depende da matéria para existir.”
Esta objeção pressupõe o que está em questão.
Sim, a informação que conhecemos, a informação que manipulamos em computadores, em livros, em cérebros, está sempre instanciada em algum substrato físico.
Mas a TIT não afirma que a informação existe sem substrato, afirma que o substrato é, em última análise, informacional.
Não é uma afirmação sobre a informação humana.
É uma afirmação sobre a natureza do próprio substrato.
Objeção 3: “A TIT é infalsificável. Como podes provar que a realidade é informação e não matéria?”
Esta é a objeção mais séria, e as Teorias Informacionais respondem-lhe com honestidade: a TIT é um quadro ontológico, não uma teoria empírica no sentido popperiano estrito.
Não é falsificável da mesma forma que uma teoria física.
Mas pode ser avaliada pela sua coerência interna, pela sua capacidade de iluminar problemas que outros quadros deixam em aberto e pela sua compatibilidade com resultados empíricos bem estabelecidos.
Nestes três critérios, a TIT apresenta-se como uma proposta filosoficamente séria e teoricamente fértil.
A TIT Como Segunda Ordem Ontológica
Há uma forma de situar a TIT no panorama filosófico que pode ajudar a perceber o que ela faz e o que não faz: a TIT é uma ontologia de segunda ordem.
Uma ontologia de primeira ordem responde à pergunta: do que é feito o universo?
Átomos, campos, cordas, são ontologias de primeira ordem.
Descrevem os constituintes do universo.
A TIT responde a uma pergunta diferente: o que torna possível que qualquer entidade seja o que é?
O que é a estrutura da existência enquanto tal?
Esta é uma pergunta de segunda ordem, não sobre os constituintes, mas sobre a condição de possibilidade dos constituintes.
E a resposta é: a condição de possibilidade de qualquer constituinte é que ele seja distinguível, que instancie um padrão informacional que o diferencie de tudo o resto.
Neste sentido, a TIT não está em competição com a física de partículas ou com a teoria das cordas.
Está noutro nível de análise.
Um físico de partículas pode continuar a trabalhar com quarks e bosões, a TIT não diz que os quarks não existem.
Diz que o que faz um quark ser um quark, o que lhe confere identidade e distinguibilidade, é informacional.
A física de partículas e a TIT são compatíveis, operam em níveis de análise diferentes.
Nota editorial: Este artigo pode beneficiar de uma ilustração: um diagrama de duas colunas, “Ontologia de Primeira Ordem” vs. “TIT como Ontologia de Segunda Ordem”, mostrando que a TIT não substitui a física, mas opera a um nível de análise diferente. Isto pode ajudar leitores com formação científica a perceber que a TIT não é uma teoria concorrente da física, mas uma meta-teoria.
Do Bit ao Cosmos: A Escala da TIT
Uma das virtudes mais notáveis da TIT é a sua escalabilidade.
O mesmo princípio, toda a realidade é estrutura informacional, aplica-se coerentemente em todas as escalas do universo, da menor à maior.
À escala subatómica: as partículas fundamentais são distinguidas pelos seus números quânticos, massa, carga, spin, isospin.
Estes números são padrões informacionais.
Um quark up é um quark up porque tem os números quânticos certos.
Não porque seja feito de uma substância especial chamada quark-substância.
À escala atómica: um átomo de carbono é distinguido pela sua configuração de seis protões, seis neutrões e seis eletrões numa organização específica.
Essa configuração é um padrão informacional.
O carbono tem as propriedades que tem, a capacidade de formar quatro ligações covalentes, de ser a base da química orgânica, por causa desse padrão específico, não por causa de uma substância especial chamada carbono-substância.
À escala molecular: a molécula de ADN é distinguida pela sua sequência específica de bases azotadas.
Essa sequência é literalmente um programa, informação que instrui a célula sobre como produzir proteínas.
A vida, na sua base mais funda, é um processo informacional.
À escala neurológica: um pensamento é um padrão de ativação neuronal, uma configuração específica de distinções entre neurónios ativados e inativados, mediada por padrões de conexão sináptica.
Um pensamento é informação instanciada em bioquímica.
À escala cósmica: o universo como um todo tem uma identidade informacional, as leis físicas são padrões que se mantêm invariantes em todas as escalas e em todos os pontos do espaço-tempo.
A expansão do universo, a formação de galáxias, a nucleossíntese estelar, são todos processos de complexificação informacional.
O universo não está apenas a expandir-se.
Está a revelar-se.
PEÇA DE LEGO – A ESCALA DA TIT
A mesma estrutura informacional aplica-se em todas as escalas: quark → átomo → molécula → célula → neurónio → pensamento → cultura → universo. Em cada escala, o mesmo princípio: o que define uma entidade é o padrão de distinções que a constitui, a sua estrutura informacional única.
O Que Fica para Levar
A TIT é uma aposta filosófica e como todas as apostas filosóficas ambiciosas, requer que suspendas momentaneamente os hábitos mentais mais profundos.
O hábito de pensar que a matéria é o que existe de mais real.
O hábito de pensar que a informação é apenas um produto da mente humana.
O hábito de pensar que o que podemos tocar é mais real do que o que podemos distinguir.
Mas se fizeres essa suspensão, se deres o benefício da dúvida à hipótese de que a informação é anterior à matéria, que o padrão é anterior ao substrato, que a distinção é anterior à coisa, então algo interessante acontece: o universo começa a fazer sentido de uma forma nova.
A física quântica deixa de ser misteriosa e torna-se mais inteligível dentro de um quadro relacional.
A identidade deixa de ser um enigma e torna-se um padrão.
A criatividade deixa de ser magia e torna-se navegação.
A consciência deixa de ser um acidente e torna-se uma questão estrutural que pedirá, mais adiante, um capítulo próprio.
Estas são as promessas da TIT.
Os artigos seguintes começarão a cumpri-las, um conceito de cada vez, uma peça de Lego de cada vez.
- A TIT afirma que toda a realidade é estrutura informacional, não como metáfora, mas como afirmação ontológica;
- Esta afirmação é apresentada como compatível e inspirada por diversos domínios da ciência contemporânea, com especial destaque para a física quântica, a biologia molecular, a neurociência e a cosmologia;
- A identidade de qualquer entidade é o seu padrão informacional, independente do substrato, AX.04;
- Criar é revelar: navegar o Pixelverse de possibilidades já inscritas na estrutura da realidade;
- A TIT opera a um nível de segunda ordem, não compete com a física, mas ilumina a condição de possibilidade de qualquer entidade física.
No próximo artigo, daremos o passo que transforma a TIT de uma afirmação estática numa teoria dinâmica: veremos como o universo informacional não está parado, está em constante processo de auto-revelação.
É a Teoria da Revelação Digital, e com ela, o universo ganha movimento.

