Defesa da Física no Corpus Informacional
A física contemporânea, sobretudo a partir de Landauer e das discussões posteriores sobre termodinâmica da informação, permite tratar a informação como um fenómeno fisicamente ancorado, associado a custo energético, irreversibilidade e registo em estados materiais.
O Corpus Informacional radicaliza essa orientação ao propor que a informação não é apenas um descritor de sistemas, mas uma dimensão estrutural da realidade, cumulativa e historicamente impressa nas interações.
O Corpus Informacional apoia-se precisamente nesta viragem:
“Landauer sustenta que a informação tem custo físico e deve obedecer às leis da física.”
Assim, a informação não é um atributo das partículas: é um estado físico mensurável.
2. Wheeler: “It from Bit” – mas o Corpus vai mais longe
Wheeler propôs que o real emerge de decisões binárias, “it from bit”.
O Corpus concorda com a intuição, mas corrige a limitação:
- Wheeler reduz o real a respostas binárias;
- o Corpus propõe uma leitura cumulativa e histórica da informação, para além da formulação binária clássica de certos contextos informacionais;
- cada interação imprime entropia informacional irreversível.
Isto é fisicamente relevante: a informação não é apenas o resultado de uma medição; é o que muda no universo quando ocorre uma interação.
3. Rovelli: a informação como relação – mas o Corpus acrescenta substrato
Carlo Rovelli, na Mecânica Quântica Relacional, afirma que:
- não existem estados absolutos,
- só existem relações,
- a informação é a diferença entre estados relativos.
O Corpus concorda com a relacionalidade, mas rejeita a dissolução total do substrato:
“Rovelli privilegia uma ontologia relacional; o Corpus acrescenta-lhe uma tese de acumulação informacional.”
Ou seja:
- Rovelli: informação = relação.
- Corpus: informação = relação + substrato informacional que se acumula.
Isto é fisicamente mais forte, porque permite:
- conservação informacional,
- acumulação histórica,
- irreversibilidade.
4. A informação como aquilo que se conserva nas interações
A física tem três grandes princípios de conservação:
- energia,
- momento,
- carga.
O Corpus Informacional acrescenta um quarto: a informação como aquilo que se conserva e se transforma em cada interação.
Isto não contradiz a física.
É uma extensão coerente com:
- a termodinâmica,
- a teoria da informação,
- a mecânica quântica.
Cada interação física:
- altera estados,
- produz entropia,
- imprime informação.
Assim, a informação é o registo físico da história do universo.
5. A dissociabilidade entre substrato e fluxo informacional (caso BrainEx)
O artigo sobre preservação cerebral ex vivo ilustra algo crucial: um sistema pode manter estrutura informacional arquival mesmo sem fluxo informacional operativo.
Isto demonstra fisicamente que:
- a informação estrutural é real,
- não depende da atividade,
- não depende da consciência,
- não depende da função.
Ou seja: a informação é uma propriedade física da organização, não da atividade.
Este ponto é decisivo para a defesa física do Corpus.
6. A informação como substrato físico unificador
O artigo seminal do Corpus afirma explicitamente:
“O Corpus Informacional propõe a informação como substrato ontológico unificador de toda a realidade, da física quântica à consciência.”
Isto não é uma metáfora.
É uma tese física que se articula com:
- Wheeler (informação como base do real),
- Landauer (informação tem custo físico),
- Rovelli (informação como relação),
- Shannon (informação como estrutura matemática),termodinâmica (entropia como informação perdida).
O Corpus integra tudo isto numa única estrutura.
Síntese da defesa física
A informação é fisicamente fundamental porque:
- tem custo energético (Landauer),
- é produzida em cada interação (Wheeler),
- é relacional mas acumulável (Rovelli + Corpus),
- é irreversível (entropia),
- é dissociável do substrato biológico (BrainEx),
- é o que se conserva e transforma no universo.
Assim, o Corpus Informacional não afirma que “tudo é informação” como slogan; afirma que a informação é o operador físico que torna possível que haja estados, interações e história no universo.
NOTA DO AUTOR
Este artigo foi desenvolvido no quadro do Corpus Informacional, teoria original do autor e não recebeu financiamento externo. A análise das implicações teóricas é da responsabilidade exclusiva do autor.
Correspondência: vitor.lima@crivosoft.pt
