O Aperto de Mão
Existe um gesto tão simples que o fazemos sem pensar e tão profundo que contém, numa fração de segundo, toda a estrutura do universo.
Um aperto de mão.
Quando estendes a mão a alguém e essa pessoa estende a sua em resposta, e as duas mãos se encontram e se fecham, algo acontece que não estava em nenhuma das duas mãos antes do encontro.
Não é apenas um gesto social, é um evento informacional.
Cada mão diz algo à outra: a pressão, a temperatura, a duração, o contexto.
E cada mão recebe algo da outra que transforma, ligeiramente mas realmente, o estado do sistema que a segura.
Não sais de um aperto de mão exatamente igual ao que eras antes.
Ninguém sai.
Este gesto quotidiano contém a estrutura do mecanismo mais fundamental do universo: o Shake Hand Informacional.
A lei que diz que nenhuma interação real é unilateral.
Que todo o encontro transforma ambas as partes.
Que o universo não se faz de ações, faz-se de encontros.
“No universo, não existem ações unilaterais. Existem apenas encontros. E todo o encontro transforma ambos os que se encontram.”
Vitor Lima — Corpus Informacional
A Ilusão da Acção Unilateral
Estamos habituados a pensar em termos de ação e reação, um agente que age sobre um objeto passivo.
O sol ilumina a terra.
O martelo bate no prego.
O olho vê a maçã.
Em cada caso, parece que um dos lados é activo e o outro passivo: o sol faz algo à terra, o martelo faz algo ao prego, o olho faz algo à maçã.
A física newtoniana reforçou esta intuição com a sua lei da acção e reacção: a toda a acção corresponde uma reação igual e oposta.
Mas esta formulação, embora correta como descrição de forças, esconde algo de mais profundo: a reação não é apenas uma consequência da ação, é parte constitutiva do evento.
Sem a reação, a ação não existiria.
O martelo que bate num prego é também um prego que bate no martelo, as forças são iguais e opostas porque são o mesmo evento visto de dois ângulos.
A mecânica quântica tornou esta bilateralidade ainda mais explícita.
O acto de medir uma partícula não é uma operação unilateral em que o observador obtém informação passivamente, é um evento em que o aparelho de medição e a partícula se perturbam mutuamente de forma irredutível.
O observador muda o observado.
E o observado muda o observador.
Não como efeito secundário ou como ruído, como parte constitutiva do evento de observação.
O SHI radicaliza esta bilateralidade: não existe nenhuma interação no universo que seja genuinamente unilateral.
Todo o encontro entre entidades informacionais é bilateral, simultâneo e co-constitutivo.
O emissor e o receptor constroem-se mutuamente no acto de interagir.
PEÇA DE LEGO SHI – SHAKE HAND INFORMACIONAL
Toda a interacção real no universo é bilateral e co-constitutiva. Quando dois padrões informacionais se encontram, ambos se transformam, simultaneamente, irredutivelmente, irreversivelmente. Nenhum fica igual. Nenhum se transforma sem o outro. O SHI é o mecanismo operativo central de todo o Corpus Informacional.
A Fórmula do SHI: Ler Sem Medo
O SHI tem uma fórmula matemática.
Não precisas de a decorar, precisas apenas de a ler uma vez com atenção para perceber o que está a dizer.
SHI(α, β, t) ⟺ ΔSα ← f(Iβ) ∧ ΔSβ ← f(Iα)
Lê assim: um Shake Hand Informacional entre α e β no momento t é um evento em que o estado de α muda em função da informação de β, e simultaneamente o estado de β muda em função da informação de α.
O símbolo ΔS significa mudança de estado.
O símbolo ← significa é determinado por.
O símbolo ∧ significa e, simultaneamente.
Portanto: a mudança no estado de α é determinada pela informação de β, e a mudança no estado de β é determinada pela informação de α e estas duas mudanças acontecem ao mesmo tempo, no mesmo evento.
Há duas coisas cruciais nesta fórmula.
Primeiro, a simultaneidade: as duas mudanças não são sequenciais, α não muda primeiro e β depois; mudam ao mesmo tempo, como aspetos de um único evento.
Não há causa unilateral: o SHI é o evento, e as duas transformações são aspectos do mesmo evento.
Segundo, a assimetria possível: a função f pode ser diferente para cada lado, α pode mudar muito e β pouco, ou vice-versa.
O que o SHI garante é que ambos mudam, não que mudam da mesma forma ou na mesma medida.
O SHI no Mundo Físico
O SHI não é uma abstração filosófica, é o que a física descreve em cada evento do universo.
Vejamos alguns exemplos em escalas crescentes de complexidade.
A ligação covalente
Quando dois átomos de hidrogénio se aproximam e formam uma molécula H₂, o que acontece é um SHI clássico.
Cada átomo contribui com um electrão para um orbital partilhado.
O resultado não é a soma dos dois átomos separados, é uma entidade nova, H₂, com propriedades que nenhum dos átomos tinha individualmente: energia de ligação específica, comprimento de ligação específico, propriedades vibratórias específicas.
Ambos os átomos foram transformados pelo encontro.
Nenhum é o que era antes.
O colapso da função de onda
Na mecânica quântica, quando uma partícula é medida, a sua função de onda colapsa de uma superposição de estados para um estado definido.
Este colapso é um SHI entre a partícula e o aparelho de medição.
A partícula passa de indeterminada a determinada, mas o aparelho também muda: o ponteiro move-se, o contador regista, a memória do observador é atualizada.
O SHI é o evento de colapso, bilateral, simultâneo, irreversível.
O entrelaçamento quântico
Dois eletrões que realizaram um SHI ficam entrelaçados, partilham um estado quântico que não pode ser descrito como a soma dos estados individuais.
Qualquer SHI subsequente com um dos electrões está correlacionado com o estado do outro, independentemente da distância, de forma não-local mas sem permitir sinalização mais rápida que a luz.
O entrelaçamento é o vestígio de um SHI passado que persiste no tecido do universo.
É a memória física de um encontro.
A sinapse neuronal
Quando um neurónio pré-sináptico liberta neurotransmissores e o neurónio pós-sináptico os recebe, ocorre um SHI biológico.
O neurónio pré-sináptico não permanece inalterado após a libertação, os seus reservatórios de neurotransmissores diminuem, o seu potencial eléctrico altera-se, a sua probabilidade de disparar novamente muda.
O neurónio pós-sináptico é despolarizado ou hiperpolarizado.
Ambos foram transformados.
E deste SHI emerge, quando suficientemente agregado com milhares de outros SHIs simultâneos, aquilo que chamamos um pensamento.
PEÇA DE LEGO – SHI NO MUNDO FÍSICO
A ligação covalente, o colapso da função de onda, o entrelaçamento quântico e a sinapse neuronal são diferentes escalas do mesmo mecanismo: o encontro entre dois sistemas que os transforma a ambos. O universo não acumula coisas isoladas, organiza encontros.
A Co-Constituição: O Que Emerge do Encontro
O conceito mais profundo do SHI não é a bilateralidade, é a co-constituição.
O SHI não apenas transforma as partes: cria algo que não existia antes e que não é a soma das partes.
Considera dois musicistas a improvisar juntos.
Cada um tem as suas competências, a sua voz, a sua história musical.
Quando improvisam em conjunto, não estão apenas a somar as suas músicas individuais, estão a criar algo que emerge do encontro e que nenhum dos dois poderia criar sozinho.
A interação cria um terceiro elemento, a música do encontro, que não estava em nenhum dos dois antes do SHI.
Esta emergência é o que as Teorias Informacionais chamam de co-constituição: o SHI não apenas transforma α e β, co-constitui uma nova realidade que emerge do seu encontro.
Átomos encontram-se e co-constituem moléculas.
Moléculas encontram-se e co-constituem células.
Neurónios encontram-se e co-constituem pensamentos.
Pessoas encontram-se e co-constituem culturas.
A complexidade do universo não se explica pela soma das partes, explica-se pela co-constituição que emerge dos encontros entre as partes.
E o SHI é o mecanismo de toda a co-constituição.
PEÇA DE LEGO – CO-CONSTITUIÇÃO
O SHI não apenas transforma as partes que se encontram, co-constitui algo novo que emerge do encontro e que nenhuma das partes continha antes. Átomos co-constituem moléculas. Neurónios co-constituem pensamentos. Pessoas co-constituem culturas. A complexidade do universo é co-constituição em cascata.
Cramer e a Interpretação Transacional
A física quântica produz resultados que, no quadro das interpretações mais comuns, parecem mágicos ou paradoxais.
O entrelaçamento, o colapso da função de onda, a não-localidade, tudo isto desafia a nossa intuição de um universo de objetos separados que interagem por forças locais.
A Interpretação Transaccional de John Cramer oferece uma leitura da mecânica quântica que é extraordinariamente coerente com o SHI.
Cramer propõe que cada evento quântico é uma transacção, um acordo bilateral entre duas localizações no espaço-tempo.
Quando um átomo emite um fotão, envia uma onda de oferta dirigida ao futuro, e um possível absorvedor responde com uma onda de confirmação que, matematicamente, se comporta como se viesse do futuro para o passado.
O fotão só é efetivamente emitido quando um átomo receptor envia de volta uma onda de confirmação que fecha a transacção.
O evento quântico é o resultado deste acordo bilateral, desta transação entre emissor e receptor.
Esta interpretação elimina os paradoxos aparentes da mecânica quântica: não há colapso misterioso da função de onda, há uma transação que se completa.
Não há transmissão de sinais superlumínicos no sentido clássico de uma influência que viaja mais depressa do que a luz, há um acordo bilateral não-local, um handshake que já nasce com a estrutura das correlações quânticas.
O SHI é, em linguagem das Teorias Informacionais, o que a Interpretação Transacional descreve em linguagem física: todo o evento quântico é um Shake Hand, uma transação bilateral em que as duas partes se transformam mutuamente no acto de se encontrar.
“O universo não é feito de coisas — é feito de transacções. E cada transacção é um Shake Hand em que ambas as partes dizem sim ao mesmo tempo.”
Vitor Lima — Corpus Informacional
O SHI nas Relações Humanas
O SHI não é apenas um conceito da física, é também uma descrição rigorosa do que acontece em cada interação humana genuína.
Uma conversa é uma série de SHIs linguísticos.
Cada frase que dizes transforma o estado do teu interlocutor e cada resposta que ele dá transforma o teu.
Se a conversa for genuína, se ambos estiverem presentes, se ambos estiverem dispostos a ser transformados pelo que o outro diz, então à saída nenhum dos dois é exatamente o mesmo que era à entrada.
Algo foi criado que não estava em nenhum dos dois antes.
A amizade é o acúmulo de SHIs ao longo do tempo.
Cada encontro transforma ligeiramente ambas as pessoas e o padrão acumulado dessas transformações recíprocas é o que chamamos de uma relação.
Uma relação profunda é um sistema de SHIs tão denso e tão consistente que as duas pessoas se tornaram, em certa medida, co-constituídas: cada uma carrega, na sua estrutura informacional, os vestígios dos encontros com a outra.
O amor, no quadro do SHI, é o estado em que os SHIs entre duas pessoas atingem uma profundidade e uma consistência tais que cada um se torna constitutivo da identidade do outro.
Amar alguém, no sentido mais profundo, é ser transformado por essa pessoa de forma tão fundamental que a tua identidade inclui a marca dos vossos encontros.
E isso é bilateral: se o amor é genuíno, ambos carregam a marca do outro.
Esta leitura do amor não é redutora, é enriquecedora.
Não diz que o amor é apenas química ou apenas informação.
Diz que o amor tem uma estrutura, a estrutura do SHI e que essa estrutura é real, mensurável nos seus efeitos, e profundamente bela.
PEÇA DE LEGO – SHI NAS RELAÇÕES HUMANAS
Uma conversa genuína é uma série de SHIs linguísticos. Uma amizade é o acúmulo de SHIs ao longo do tempo. O amor é o estado em que os SHIs atingem uma profundidade tal que cada pessoa se torna co-constitutiva da identidade da outra. Toda a relação humana real tem a estrutura do Shake Hand.
O SHI e a Decoerência Quântica
Há um fenómeno da física quântica que a Interpretação Transacional e o SHI iluminam de forma particularmente clara: a decoerência.
No domínio quântico, as partículas existem em superposições de estados, o electrão está simultaneamente aqui e ali, spin-up e spin-down.
Mas no domínio macroscópico, esta superposição não se observa: um gato está vivo ou morto, não numa superposição de ambos.
A decoerência é o processo pelo qual o comportamento quântico se perde à medida que um sistema realiza SHIs com o ambiente.
Cada SHI que uma partícula realiza com o ambiente envolve uma troca de informação que fixa o estado da partícula de forma progressivamente mais definida.
À medida que o número de SHIs cresce, a superposição de estados deixa de ser observável e o sistema adquire um comportamento clássico efetivo, não porque haja uma observação consciente, mas porque ficou entrelaçado com tantos outros sistemas que a coerência quântica se dispersa no ambiente.
No quadro do SHI, a decoerência é o processo pelo qual um sistema informacional, ao realizar múltiplos SHIs com o ambiente, perde a sua indeterminação quântica observável e adquire um comportamento clássico efetivo.
É, em linguagem do SHI, o processo pelo qual as possibilidades quânticas se cristalizam em realidades clássicas ao nível em que vivemos.
A decoerência é, em linguagem do SHI, o processo de emergência da realidade clássica a partir da indeterminação quântica.
O SHI de Segunda Ordem: A Porta da Consciência
Até agora, todos os exemplos de SHI que vimos foram SHIs de primeira ordem: α encontra β, ambos se transformam, emerge algo novo.
O encontro é entre dois sistemas distintos.
Mas há uma forma de SHI que é qualitativamente diferente e que abre a porta para o fenómeno mais extraordinário que o universo produziu: o SHI de segunda ordem.
Um SHI de segunda ordem é aquele em que um sistema realiza um Shake Hand consigo próprio, em que a informação que o sistema produz se torna, ela própria, o input de um novo SHI dentro do mesmo sistema.
É o sistema que se dobra sobre si mesmo, que se torna simultaneamente emissor e receptor, que produz uma representação de si próprio e depois usa essa representação para se regular.
Este tipo de auto-referência existe em graus.
Uma pedra não realiza SHIs de segunda ordem, não tem mecanismos para processar informação sobre si própria.
Uma célula tem um grau elementar: o ADN é uma representação da célula que a célula usa para se regular.
Um sistema nervoso tem um grau mais elaborado: os circuitos de feedback neuronal são, literalmente, SHIs de segunda ordem, a informação processada pelo cérebro é usada para regular o processamento do cérebro.
E a consciência humana é o grau máximo: um sistema que não apenas processa informação sobre si próprio, mas que sabe que está a fazê-lo.
Que tem um modelo de si próprio a ter um modelo de si próprio.
PEÇA DE LEGO – SHI DE SEGUNDA ORDEM
Um SHI de segunda ordem é aquele em que um sistema realiza um Shake Hand consigo próprio, em que a informação que produz se torna o input de um novo processamento dentro do mesmo sistema. É o mecanismo de toda a auto-regulação, de toda a aprendizagem e no seu grau máximo, da consciência.
O SHI de segunda ordem é o que distingue um simples mecanismo de feedback, como um termóstato, de um organismo vivo.
O termóstato mede a temperatura e ajusta o aquecimento, é um ciclo de feedback, mas sem representação: o termóstato não tem um modelo de si próprio a medir a temperatura.
Um organismo vivo tem: o seu sistema nervoso central mantém modelos do próprio corpo, modelos do ambiente, e modelos da relação entre ambos.
Usa esses modelos para regular o comportamento.
E nos organismos mais complexos, usa modelos de si próprio a ter modelos de si próprio, o que os filósofos chamam de meta-cognição e o que as Teorias Informacionais chamam de SHI de segunda ordem reflexivo.
No próximo artigo, veremos como os SHIs se organizam em hierarquias de protocolos, formas crescentemente complexas de acoplamento que correspondem aos diferentes níveis de organização da realidade.
E nos artigos posteriores, veremos como o SHI de segunda ordem, ao atingir um grau suficiente de densidade e integração, produz o fenómeno mais extraordinário do universo: a consciência.
O SHI Como Sistema Circulatório do Corpus
No diagrama do Corpus Informacional, disponível em diagramati.crivosoft.pt, o nó do SHI é o maior e o mais central.
Esta posição não é decorativa.
O SHI atravessa todas as camadas do corpus.
Sem o SHI, a TIT não tem motor: a informação seria estática, sem processo de actualização.
Sem o SHI, a TRD não tem mecanismo: a revelação não tem como acontecer sem encontro.
Sem o SHI, a OID/U não tem definição: uma entidade é o conjunto dos seus SHIs.
Sem o SHI, a TPAI não tem objecto: os protocolos são formas de organizar SHIs.
Sem o SHI, a Identidade Informacional não tem dinâmica: a identidade define-se e redefine-se através de SHIs.
Sem o SHI, a HEIC não tem substrato: a consciência emerge de SHIs de segunda ordem suficientemente densos e integrados.
O SHI é o sistema circulatório do corpus, tal como o sangue não é o coração nem os pulmões nem o fígado, mas atravessa todos os órgãos e os liga num sistema funcional, o SHI não é nenhuma das teorias do corpus, mas atravessa todas e as liga numa arquitetura coerente.
Compreender o SHI é compreender o mecanismo fundamental de todo o universo.
E depois de o compreender, é difícil olhar para um aperto de mão, ou para uma ligação química, ou para uma conversa, ou para um pôr do sol, sem ver nele a estrutura mais profunda do real.
Quando o SHI Não Acontece: A Assimetria e o Isolamento
Para perceber completamente o SHI, é útil perguntar: o que acontece quando ele não acontece?
Quando o encontro falha?
Há dois casos de falha do SHI que merecem atenção.
O primeiro é a assimetria extrema.
O SHI garante que ambas as partes se transformam, mas não garante que se transformem de forma equivalente.
Pode haver um SHI em que α transforma muito β e β transforma muito pouco α.
Pensa numa pedra atirada ao oceano: a pedra transforma o oceano (produz ondas, desloca água), mas o oceano transforma a pedra de forma quase imperceptível.
Há um SHI, ambos mudam, mas a assimetria é enorme.
No limite desta assimetria está o que as Teorias Informacionais chamam de relação unilateral aparente, quando a transformação de um dos lados é tão pequena que parece zero.
Mas zero rigoroso não existe: todo o SHI, por mais assimétrico, transforma ambas as partes.
O segundo caso é o isolamento informacional, a tentativa de não realizar SHIs.
Um sistema que se fecha completamente ao exterior, que recusa todo o encontro, que tenta preservar-se bloqueando todas as interacções, entra num processo de estagnação.
Sem SHIs, não há actualização.
Sem actualização, não há revelação.
Sem revelação, o sistema congela num estado que progressivamente se afasta da realidade que o rodeia.
O isolamento informacional é a morte lenta da identidade, não necessariamente biológica, mas estrutural; é a erosão progressiva da capacidade de um sistema se ajustar à realidade com que já não se encontra.
O Que Fica para Levar
O SHI é a peça mais central do Corpus Informacional, o mecanismo que dá vida e movimento a tudo o resto.
Depois de ler este capítulo, tens as ferramentas para ver o universo de forma diferente: não como um conjunto de coisas que se empurram umas às outras, mas como uma rede de encontros em que cada encontro transforma os encontrados e co-constitui algo novo.
- Toda a interacção real no universo é bilateral e co-constitutiva: o SHI é o mecanismo fundamental de toda a mudança e de toda a complexidade;
- A fórmula do SHI descreve a simultaneidade e a bilateralidade: ΔSα ← f(Iβ) e ΔSβ ← f(Iα) acontecem ao mesmo tempo, no mesmo evento;
- A Interpretação Transaccional de Cramer descreve, em linguagem física, o mesmo mecanismo: todo o evento quântico é uma transacção bilateral;
- A co-constituição é o coração do SHI: o encontro não soma, cria. Do encontro emerge algo que nenhuma das partes continha antes;
- O SHI de segunda ordem: o sistema a realizar um Shake Hand consigo próprio, é o mecanismo da auto-regulação, da aprendizagem e no seu grau máximo, da consciência;
- O SHI é o sistema circulatório do Corpus Informacional: atravessa e liga todas as outras teorias numa arquitectura coerente.
No próximo artigo, veremos como os SHIs se organizam em hierarquias, como a complexidade crescente do universo emerge de formas progressivamente mais sofisticadas de acoplamento entre sistemas informacionais.
É a Teoria dos Protocolos de Acoplamento Informacional, a gramática do Shake Hand.

