Hipótese Emergentista Informacional da Consciência
O Arrepio Estético
O arrepio (piloereção) é um dos exemplos mais elucidativos da relação mente-corpo: um mecanismo autonómico ancestral, originalmente associado à termorregulação e à sinalização defensiva, que pode hoje ser recrutado em resposta a estímulos abstratos e estéticos, como música, arte ou momentos de awe. A literatura recente mostra que a piloereção humana é desencadeada por estímulos diversos, incluindo térmicos, táteis e audiovisuais, e que a sua ocorrência não depende de forma simples da emoção subjetiva reportada. Este artigo examina o fenómeno como estudo de caso empírico e submete-o à metodologia tripartida do Corpus Informacional, confirmação, rejeição e complementaridade, avaliando-o à luz das teorias nucleares TRD, TIT, OID/U e, em particular, HEIC (C=f(D,I,R)). Conclui-se que o fenómeno confirma a estrutura de porta multiplicativa de HEIC, rejeita uma leitura teleológica forte de TIT enquanto processamento informacional “desenhado para revelação” e complementa o Corpus ao oferecer um proxy fisiológico mensurável para o parâmetro R. Palavras-chave: arrepio; piloereção; exaptação; frisson estético; HEIC; OID/U; TIT; Corpus Informacional. 1. Introdução Poucos fenómenos psicofisiológicos condensam de forma tão nítida o problema mente-corpo como o arrepio estético. A mesma resposta cutânea que, em contextos ancestrais, contribuía para a termorregulação ou para a defesa perante ameaça pode hoje ser desencadeada por um acorde inesperado, um verso, ou a contemplação de uma paisagem. A formulação popular do fenómeno, “um mecanismo físico ancestral que o cérebro adaptou para reagir a estímulos abstratos”, é intuitivamente convincente, mas merece refinamento conceptual. O ponto decisivo é evitar uma leitura teleológica forte. Em vez de supor um encéfalo que “desenha” deliberadamente uma…

