Informational Theory of Everything
Inteligência Artificial, Informação e o Insubstituível
O presente ensaio propõe uma distinção filosófica e informacional central para a era da inteligência artificial: a diferença entre ações realizadas na terceira pessoa e ações realizadas na primeira pessoa. A tese aqui defendida é que a IA tende a substituir, de forma progressiva e abrangente, toda a atividade humana descritível, formalizável e replicável em termos de terceira pessoa, isto é, toda a ação que possa ser observada externamente, codificada e processada por sistemas informacionais. Em contrapartida, sustenta-se que a IA não substitui, pelo menos no sentido forte em que uma subjetividade é substituída por outra, o que ocorre exclusivamente em primeira pessoa: a experiência vivida, a intencionalidade irredutível, a autoconsciência e o testemunho subjetivo. Importa sublinhar desde já o alcance metodológico desta proposta. O ensaio não pretende demonstrar empiricamente que nenhuma máquina possa vir a exibir estados subjetivos; pretende antes argumentar que, à luz do modo como a subjetividade é tratada na filosofia da mente, a passagem da descrição funcional para a experiência vivida permanece filosoficamente não resolvida. O argumento é desenvolvido no quadro das Teorias Informacionais do autor, em particular a HEIC, a TIT e a OID/U e em diálogo crítico com Nagel, Chalmers, Floridi, Tononi, Searle e Wheeler. A tese tem implicações para a filosofia da mente, a economia do trabalho, a ética da IA e a ontologia da identidade humana. Palavras-chave: inteligência artificial; primeira pessoa; terceira pessoa; consciência; informação; HEIC; insubstituibilidade; filosofia da mente. Introdução Vivemos um momento em que a pergunta “o que poderá a inteligência artificial fazer melhor do que…




