Uma Dissociação Genómico-Dinâmica da Consciência e da Responsividade Anestésica no Quadro do Corpus Informacional
Um artigo anterior desta série operacionalizou e confirmou computacionalmente, ao nível funcional, quatro previsões de uma hipótese processual da consciência: existência de uma medida de integração em funcionamento basal, supressibilidade sob perturbação, recuperabilidade após a cessação do perturbador e dependência irreversível do substrato quando este é danificado. Esses resultados deixam, contudo, uma questão em aberto: se a dinâmica associada à consciência pode ser suprimida e recuperada por anestésicos, fármacos ou excesso de dióxido de carbono sem alteração imediata da sequência genómica, que papel causal resta ao ADN? Este artigo responde através de uma extensão do registo EP/EA da Ontologia Informacional Dinâmica e Universal (OID/U) à relação entre genoma, arquitetura biológica e processo consciencial, propondo o construto GEP/AEA: Gerador do Espaço de Possibilidades / Atualizador do Estado Atualizado. Sustenta-se que o genoma contribui sobretudo, em interação com processos epigenéticos, ambientais e dependentes da atividade, para constituir as disposições moleculares, fisiológicas e arquiteturais que delimitam o espaço de estados acessíveis a um sistema. O processo dinâmico associado à consciência atualiza trajetórias concretas nesse espaço em função das condições correntes. A distinção proposta não implica independência causal absoluta: trata-se de uma separação analítica entre níveis predominantemente disposicionais e dinâmicos. A tese é discutida à luz de evidência farmacogenética sobre variação individual na resposta a anestésicos. Estudos sobre MC1R, genes relacionados com recetores GABA-A, enzimas de metabolização e outros fatores genéticos sugerem que a variação genética pode influenciar dose, latência, farmacocinética e recuperação, sem apoiar a existência de um “gene da consciência” que determine diretamente, momento a momento, a presença…

