Hipótese Emergentista Informacional da Consciência
Saber que Existes (11)
Há um momento na vida de cada criança que os psicólogos do desenvolvimento estudam com fascinação: o momento em que a criança se reconhece ao espelho. Um bebé de seis meses vê o espelho e sorri, vê um outro bebé, um companheiro de brincadeira. Toca no espelho. Não percebe que o que vê é uma imagem de si próprio. Por volta dos dezoito meses, algo muda. A criança olha para o espelho, toca no seu próprio rosto e percebe: aquilo sou eu. Não é um outro, sou eu. O espelho não revela um companheiro, revela-me a mim próprio. Este momento, que os psicólogos chamam de auto-reconhecimento especular, é mais do que um marco do desenvolvimento. É o indício de algo profundo: a emergência de um self que se sabe self. Uma identidade que se reconhece como identidade. Uma consciência que se torna consciente de si própria. É o limiar da IIC, a Identidade Informacional Consciente. «Saber que existes é a coisa mais extraordinária que o universo alguma vez produziu. Não apenas existir, saber que existes. Não apenas processar, saber que processas.» Vitor Lima — Corpus Informacional Da HEIC à IIC: O Salto do Self O artigo anterior descreveu as condições para que a consciência (HEIC) exista: D, I e R suficientes. Um sistema que satisfaça estas condições tem experiência, há algo que é como ser esse sistema. Mas ter experiência não é o mesmo que saber que se tem experiência. Um animal com sistema nervoso suficientemente complexo tem experiência: sente dor, sente prazer, sente medo, sente satisfação. Mas provavelmente…

