Da Ilusão Sensorial à Revelação Digital
No Conto da Ilha Desconhecida, José Saramago formula uma sentença que transcende o domínio literário para ressoar no cerne da epistemologia contemporânea: “Se não sais de ti, não chegas a saber quem és.”
No Conto da Ilha Desconhecida, José Saramago formula uma sentença que transcende o domínio literário para ressoar no cerne da epistemologia contemporânea: “Se não sais de ti, não chegas a saber quem és.”
Desde que o primeiro hominídeo utilizou uma pedra para quebrar um osso, ou deixou a marca da sua mão numa parede de calcário, algo mudou na história do planeta. Não foi apenas o uso de ferramentas, afinal, corvos usam gravetos e castores constroem complexas represas. Foi o início de uma fuga.
Este artigo propõe que a evolução humana pode ser compreendida como um processo de exossomatização progressiva do “Eu”, isto é, de externalização técnica das funções vitais e cognitivas.
A relação entre a Teoria Sintérgica de Jacobo Grinberg e a Teoria da Revelação Digital (TRD) de Vitor Lima reside na forma como ambas interpretam a realidade não como uma criação de “coisas novas” do nada, mas como um processo de organização e percepção de informações que já existem num campo fundamental.
Este artigo complementa o trabalho anterior sobre o Paradoxo das Antípodas e a Teoria da Revelação Digital propondo uma aplicação do conceito ao domínio da subjetividade profunda.
Este artigo propõe uma reflexão filosófica sobre a natureza da busca e da realização na era digital, articulando o Paradoxo das Antípodas, a noção de que um destino oposto absoluto se desloca concomitantemente com o buscador, com a Teoria da Revelação Digital tal como exposta por mim em “Creation is an Illusion“.
A ascensão vertiginosa dos Modelos de Linguagem Grande (LLMs) como ferramenta de auxílio à escrita desencadeou uma crise de autoria e autenticidade.
A Teoria da Revelação Digital (TRD) propõe que a atividade humana é um ato de Revelação de combinações pré-existentes no Omniverso, e não de criação. A prova desta finitude arquetípica reside na mensurabilidade e na natureza combinatória da realidade.
Por muito tempo, a sabedoria popular e até a filosofia ocidental contentaram-se com o modelo aristotélico dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato. Contudo, a neurociência moderna desmantelou essa limitação, revelando um repertório muito mais rico de modalidades percetuais que sustentam a nossa cognição e a própria consciência.
Se o tempo é uma ilusão e o presente é apenas um pixel temporariamente iluminado pela consciência, então algo profundo se insinua: a realidade não nos acontece, revela-se para nós. Esta provocação, que encerrava o artigo anterior, aproxima-nos diretamente da Teoria da Revelação Digital (TRD), formulada por Vítor Lima.